Viajar o mundo sem ser estúpido

Um final alternativo para “Na Natureza Selvagem”

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O filme de Sean Penn – Na natureza selvagem – é um filme muito reflexivo para quem quer viver com pouco e para quem quer viajar pelo mundo. É baseado na viagem de Christopher McCandless pela América do Norte. Uma viagem que não terminou nada bem.

O filme é inspirador, paisagens maravilhosas, encontros imprevisíveis, lições de vida. Mas o personagem acaba esquecendo alguns itens fundamentais na hora de colocar o pé na estrada. Se você vive em um mundo caótico, cheio de estresse no dia-a-dia, a primeira vontade que você tem depois de ver o filme é largar tudo e tirar aquele ano sabático.

Mas é claro que isso exige um planejamento. E planejamento de verdade.

Veja alguns pontos em que o viajante errou feio na hora de fazer a sua jornada.

1) Dizer que a culpa é dos pais

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Os pais de Christopher eram “capitalistas” ao extremo, brigavam o tempo todo, o garoto fez a faculdade para agradar aos pais.

Na boa? É muito fácil reclamar quando você mora, come, dorme e não faz nada na casa dos seus pais. Liberte-se primeiro. Arranje um emprego. Pague um aluguel e more sozinho. Vai resolver parte dos seus problemas.

Morar sozinho, alias, vai te ajudar e muito na sua volta ao mundo. Eu vejo tanta gente, mas tanta gente reclamando dos pais, mas também se acomoda, não toma uma atitude ou de conversar ou de sair de casa e fazer o seu próprio destino.

Mas pense qual o real objetivo da sua viagem. Tenha isso em mente. Conflitos familiares sempre vão existir e isso não é um motivo de sair loucamente pelo mundo sem destino.

2) Largar o carro e queimar o dinheiro

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Christopher começou a sua jornada de carro, mas entrou distraidamente em uma área em que o carro atolava. Se a sua jornada é de carro, primeiro você tem que se planejar em relação às paradas. Além de perigoso parar em qualquer local para dormir, o carro pode enguiçar do nada.

Eu li uma história de um grupo que alugou um carro no Deserto do Atacama, sem guia, o carro quebrou e eles ficaram 4 dias perdidos no deserto. Isso não é engraçado, é muito sério. De dia o deserto é muito quente, mas de noite, muito frio. Para causar uma hipotermia é fácil. Sempre tenha um plano B. Mesmo que ele fique só no papel.

Queimar dinheiro foi outra maluquice que Christopher fez. Você pode fazer uma viagem econômica, mochileira, mas tenha uma pequena reserva de dinheiro para qualquer eventualidade. Ficar 100% sem dinheiro pode ser um perrengue maior do que você pode imaginar, principalmente para quem não tem ainda esse desprendimento.

Não digo que seja impossível, até porque você já deve ter lido histórias de pessoas que viajaram sem um tostão, apenas necessitando da solidariedade de outras pessoas e fazendo permutas para o pagamento de refeições e hospedagem. Se você quiser ser radical nesse ponto, pense como pode criar essas interações durante o seu trajeto. Uma troca de email antes da viagem pode até ser útil, com albergues e pessoas que fazem couchsurfing.

3) Não saber caçar

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Se você for realmente para a natureza selvagem, como Christopher, você vai ter que aprender a caçar e a pescar. Christopher não sabia absolutamente nada sobre isso.

Por sorte, aprendeu um pouco em sua jornada. Mas não foi suficiente. Existe uma cena muito emblemática, que ele mata um alce e como ele demora uma cortar a carne e defumar, a carne apodrece. Isso acaba desestabilizando o personagem, que nunca mais quer caçar para se alimentar.

4) Querer se alimentar só de frutos e folhas

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Uma jornada como essa exige um esforço muito grande para o corpo e para a mente. Ter um planejamento alimentar é fundamental. Estudar o que o local tem a oferecer de alimentação, se for da natureza.

Se for restaurantes e estabelecimentos, você pode pesquisar pelo Tripadvisor ou Fórum de Mochileiros, que podem te dar as dicas de onde comer bem e barato. Geralmente é no restaurante que os locais frequentam. Uma boa conversa quando você chegar no local pode resolver também, no caso de restaurantes e bares.

Em Fernando de Noronha, por exemplo, que é um local caríssimo, dizem que a dica é procurar onde os instrutores de mergulho fazem suas refeições. E isso com certeza não vai estar em nenhum guia impresso oficial.

5) Não pesquisar sobre travessias, vistos antes de começar

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Sua viagem pode terminar bem aqui se você não se informar antes sobre travessia de uma país ao outro e vistos. Christopher não ia conseguir descer o Rio Colorado, sem permissão. Bom, ele acabou indo e conseguiu chegar até o final. Mas a travessia foi muito arriscada e a viagem poderia ter terminado ali mesmo.

Como viver ainda é mais importante que viajar – senão você não curte o mundo de verdade, só o além rs – é bom ter um mínimo de prudência. Obtenha o visto antes de se aventurar pela fronteira. Tente criar seu roteiro prevendo rios, lagos e outros locais em que a travessia seja complicada ou prepare-se para encarar a aventura praticando canoagem, natação etc.

6) Ficar sem comunicação nenhuma

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Você pode querer se desconectar totalmente da vida real, sem telefonemas e internet. Pelo menos ter um celular é recomendado, nunca se sabe quando você precisará de alguma coisa. Christopher foi para um lugar tão distante e deserto que comeu uma fruta venenosa, que atacou seu sistema nervoso, e ele não teve como pedir socorro. A refeição foi mortal.

Em lugares extremos, como no filme, existem algumas técnicas para pedir ajuda: emitir sinais sonoros (gritando ou apitando), acender fogueiras, levar uma lanterna (socorro em código morse). Você conhece a história do alpinista Aron Ralston, do filme 127 horas? Ele foi sozinho ao Grand Canyon, sem falar com ninguém. Ele ficou preso entre duas rochas e teve que amputar o braço para sair de lá.

É bom deixar um pré-roteiro na mão de um conhecido. Pelo menos ele saberá os seus passos se algo der errado. Já se for uma volta ao mundo mais light, é mais fácil carregar consigo um celular e pesquisar antes sobre 3G e 4G nos locais que você vai passar.

O mais importante conselho que se pode dar para um viajante que vai dar a volta ao mundo é esse:

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Boa sorte! 🙂

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